sábado, dezembro 25, 2010

perdendo minha respiração

sei tudo
da notícia
entrecortada
da sua boca
queria saber

que demônios me
assaltavam então

a possessão
dos
seus dedos
no meu corpo
nas minhas palavras

não sou mais o que digo

o que escrevo não existe

me curvo como
uma salvação
respiro e

o jornal
não é o de hoje
hoje não é hoje
e o sol nem saiu.

quinta-feira, dezembro 23, 2010

Este Dezembro


Decerto ninguém poderia
um sonho doido
um minúsculo tributo
se lembrar
eu cogito que é dezembro
que vem me cercando
e é cercado por todos
os pensamentos,
esqueço dele como final.
Deserto de todas as lutas
e respiro até o verão monstruoso
que me comunica, Olhe os dias
você não existe, você não existe.
Tudo registrado
mas
Nenhuma mudança realmente ocorreu.

segunda-feira, dezembro 20, 2010

Se Aproxima

não passou
o que tivesse que
marcou o calendário
um risco e o papel
rasgado,
a criança mais ladra
que a vida me dizia
e você também ouvia
os dois compartindo
este segredo,
agora o mês veio seco
ninguém, eu, se lembra
e o vago ar de hoje
e a chuva entrevada
te superestima.

sábado, dezembro 11, 2010

respiração

o coma inevitável
eu respiro, a luz
não pode faltar surpreendendo
a minha natureza,
me fere os acasos e os óculos.
e digo que estive pensando.

sábado, novembro 27, 2010

processo





Não tenho tempo pra destino.
Sem desespero
mãos nas mãos
ou cretinos que podem,

Passo por dias ininteligíveis
de pensamentos mais finos
e o que sentia só era a ideia,
A rememória ultrajada
de palavras escuras.





feito 07 ou 08
Ser-ti-fico
dos verões o frio

terça-feira, novembro 23, 2010

inverno que te deixa



Duras penas,
grossas costuras no dia de chuva
 instalados e isolados
Bafejam o vento distorcido
claramente pensei em tudo

 o plano mais acertado,
comecei a contar qualquer história
para não bater mais os dentes.

e funcionou, em poucos minutos
estava descongelado.

sábado, novembro 13, 2010

gotas



vejo o otimismo na sua saliva
que
recria
a própria boca

as gotas secam
como seus amigos
 à noite

só os seus joelhos
reclamam
da sua perversão,
que você não anda

e qualquer coisa
que eu escreva
rejeita, irracional,
a ilusão.

sábado, novembro 06, 2010

nascença

continuo seguindo pelos trechos
dos seus braços e dos seus ombros
os entre trechos antes dos joelhos,
as entranhas dos estranhos em toda escuridão
os nossos pensamentos ajoelhados, riscando eu sigo
e em você, na nuca uma inscrição.

quinta-feira, novembro 04, 2010

Expurgo

que nem olhos de barco,
todos olhavam
camas e carros, costas encostas
num sonho, mas acordei finalmente hoje
e pude me ver no mesmo cloro
correndo, correndo como qualquer
inseto das suas histórias, anônimo e nojento.

sábado, outubro 30, 2010

cobras

a carne no olho
vibra sem parar
mas há ainda uma coisa
pra cortar
linhas e farrapos
da sua cabeça, sem poema,
que serpenteia.

seus


prefiro um conselho e não uma convocação
naquela leitura de um livro, em todas as nossas mentes
e não um empurrão
e se não sei o que fazer a cada hora, é todo o meu ser.

sexta-feira, outubro 29, 2010

hoje, sexta-feira

não sei nada sobre o tempo
- nas suas mãos era impossível -
e se é calor ou frio que me espera
- me fechavam a mão como uma criança -
e que te espera,
- todos éramos crianças -

 mas hoje é sexta-feira

segunda-feira, outubro 25, 2010

passado



Agora é que se olha
a chuva esconder o horizonte
e não se indaga
onde as frases me levariam.
algum piche na rua
escorreu um dia de calor,
hoje são raízes negras
veios de um sangue urbano.
Mas perdi todo o meu
tempo nessa janela.

Acaso à Tarde ou Fé

Não há coisa que não
fique nas suas unhas
Naquelas férias nosso
próprio calor insuportável.

As costas no chão e a
tentativa de algum frescor.
O instante antes do mergulho
ainda é eterno.

Vemos pela janela os
desconhecidos
impiedosos nos seus corpos:
de braços cruzados.

A essa hora já estamos no
terraço enfrentando o sol
Ainda assim alguma nuvem
poderia parecer misericórdia.

sábado, outubro 23, 2010

coração iluminado

ela faz um círculo na areia e diz que aqui podemos ficar sin que nada nos pregunte nada.




e mais, diz que sonhou com ele, e sonhou que ele sonhava com ela.

segunda-feira, outubro 18, 2010

olhe


" Por que um corvo se parece com uma escrivaninha?"

de Alice no País das Maravilhas

O que não sugeria nenhum sentimento especial

a cama clareada
sem vestígios da noite
ontem imundo rastros (em todo o lençol)
e serpentes mortas
e caras no cloro

a pouco tempo, a pouco tempo

sábado, outubro 16, 2010

teoria

para o cacete do dia
as ninfas sugadoras

The National - Theory of the Crows

 

Where crybabies cry
in the united states
bright white on both sides
like a plate
nobody listens
nobody should
it'd be a waste of attention

not enough money
to buy a PC
so i come in this weekend
asleep on my feet
and if i forget you
ill have nobody left to forget
i guess thats what assholes get

traded my day light
for a career

but i need you to disprove
my theory of the crows

pouring my fingers across the keys
will someone review my salary please?
im selling my time to the man who sells style
that time should be mine to waste on you

ill suck off investors
ill suck off VCs

im losing my posture from time on my knees
they treat me so well
cause i'll do anything
its in my nature of service

but ill need you to disprove
my theory of the crows

kids of the wealthy are raised by the poor
you send daughters to los angelos and new york
i need mine to see me
when i wake up
i need mine to know
that im what they come to

when they come home

sexta-feira, outubro 08, 2010

estrábico

a ele
um cão do tamanho de um rato anda rente à parede.
um gato do tamanho de um cão sobrevive em cima dum muro.
um rato de patas e tamanho de um gato come qualquer coisa em qualquer lugar.

quarta-feira, outubro 06, 2010

luz amarela

os vidros todos em mim,
me disseram

refletido as ondas todas
grossas unhas da lamentação
nas carnes
as cascas pelo chão contam
essa história que ninguém acredita e
que é a nossa

e a ferida feito um rato parece que foge.

segunda-feira, outubro 04, 2010

lista

caçadores todos mortos
navegadores perdidos
cantores sem a língua
médicos sem dor
sem dor todos mortos
navegadores perdidos
sem a língua
e alguns poetas corcundas.

sábado, setembro 25, 2010

registrado


A era dos meus braços,
a faca existe duas vezes, matemática,
seguram
em caixas adormecem e as lembranças
não seguram, quem chegou depois.
o monstro gigante do passado, o seu olho torto.
mas a cara é toda minha, a crise
tudo esclarecido,
acabado.
eu não faço senso
e se me perguntar
parece que estou  fazendo

Jung p/ Freud

 
" Acato seu desejo de que abandonemos nossas relações pessoais, pois nunca imponho minha amizade a ninguém. O senhor mesmo é o melhor juiz do que este momento significa para o senhor. ' O resto é silêncio '".

sábado, setembro 18, 2010

que eu perdi, eu que achei --- pois são velhas luzes


cada hora a sua armagura
que sucumbe e
inventa posturas
que seus joelhos quebrados
não podem aguentar

podia ser um parente
mas está em outra rua
um vizinho doente
que acabam de achar

não quero escrever nada
que me conste
só a narração mais fria
a fila prum ônibus
depois do trabalho espera
um soldado neste dia.

o grito não desperta
nem o soco, o olhar
só a fome explode

e na morte, finalmente
nos cabe alguns passos
antes da descida,
nos puxam com mãos fortes.

sexta-feira, setembro 17, 2010

esquecido



e a morte dessa poesia
ainda estou paralizado
não importa, quem
trouxe essa noticia

finalmente acaba junto
na mesma maldição, o leitor
e quem leria,

o escritor permanece, todo
virado, resiliente
nos dias

terça-feira, setembro 07, 2010

origem

Cilada é o que sei
que preparou pra mim.
Não vá portanto olhar
sem nenhuma alma
pra essa linha falsa
imoral e sem amor.

Curso que se faz
à margem da vida
volta dada e
procurada.
o sentimento de
sua escolha
camuflado. Verso

segunda-feira, setembro 06, 2010

cristo

não é se salvando
sou ingênuo feito um autista
mas a raiva paranoica do esquizo
nas veias dos olhos, espero
o corvo vir comer, esfomeado
só as córneas, só as córneas
a mãe do corvo olha afastada, orgulhosa,
o que cria



sexta-feira, setembro 03, 2010

não faz muito tempo

todo mundo então
já dormiu com escorpiões
e a essa hora com esses traumas
nos seus ossos
unhas, cabelos e pele

mas sobrevivemos
não sei mais por quem falo
e o que falo a essa hora
noto o meu nervoso nas
mãos como seu não fosse eu
como se não fossem minhas

ainda arranco os pedaços
que posso
que possuo
de todo ar.
apesar de tudo sou somos resilientes

terça-feira, agosto 17, 2010

água de pedra

Antes que
supostamente
impeça a
cumplicidade
impressa na pele
e corte uma vez só
o frio colapso que vence
conheço
conheço
a pífia força que
incrivelmente criou
o que me criou
Não há hora antes
pra se ver o calor
escuro de se estar vivo.

sábado, agosto 14, 2010

restos das ruas

nada de novo,
apesar de.
estou cheio de influências,
conheço meu pai e minha mãe

mas só encontrará miséria
o sujo
o pior
a aberração, o seu nojo

no canto dos meus olhos
nas palmas das minhas mãos

os melhores pensamentos são seus

domingo, agosto 01, 2010

Hoje Você foi longe

descubro que desde
pequeno
nas fotos já estava acertado
o acordo sombrio

a melhora fingida - durante os anos - e
todo o espetáculo,
uma contagem nos dedos
atrás da porta

aquelas supresas
organizadas, contabilizadas
e distraído por um momento
passei a impressão de improviso
mas tudo era uma encomenda

naquele dia todos estavam vermelhos
e sem fôlego
as mãos ainda presas nas costas
o sorriso de quem não quer
que as coisas fujam do combinado.
tudo certo, acordo feito.

quinta-feira, julho 29, 2010

Feliz é aquele que esquece o que não pode mais ser mudado

a sauna escorrida do seu cabelo
e a cabeça manca e surda, sua.
as frases nascem dos antebraços
e esbarram na parede, as unhas.

os minutos descansam, como a morte
os ossos andam desfeitos pelo ar
todas as explosões foram esquecidas
as gargantas
as tosses,
frestas remanescentes fiscalizam, ainda
descansamos
mas também se olha de  esguelha.

domingo, julho 18, 2010


não aquece
nada
aquela luz
esquizo
meio dia
só à noite
suas mãos
iluminam
meu sorriso
um dos meus lados foi rasgado
vi no mesmo espelho
um monumento de mim

sexta-feira, julho 09, 2010

fronteira

festejo coisas
amuadas nos cantos
dos quadros
cubro os rascunhos
que fiz,
nos dedos as marcas
resistem

espero que nessa
semana de folga
resistam,
até escrever eu possa
uma carta, até.
que eu fique zen
e a raiva escondida
nos cadernos

nos cadernos

porque as coisas não estão boas.

quinta-feira, maio 27, 2010

há pouca água
em sua mão
o desperdício
em todas as gotas
a raiva o ódio o rancor
então o nascimento.

sexta-feira, maio 07, 2010

reeditado

Já é dezembro
mais um verão
o oléo e a água
se juntando

e levantei hoje com
essa certeza

a sua essência
não é a mesma
saber de você
não existiu

espero as chuvas
o frio
dos outros anos,
a reedição e
o melhor livro que li
ainda não tivesse lido:
antes e novamente.

quarta-feira, março 31, 2010

desaparecidos






Nos ajudava, e íamos
estar trocados
e sem fome, esbeltos
com cara boa.

Nós aspirávamos o ar
ainda antigo da outra semana
preso debaixo da mesa, ele dizia
quem a própria cara espanta
a alma estica pra fora.

Era o medo. Da lápide.
Aqui jaz. Não a infância.
Não a memória.
A nossa força, a nossa força.

Guia — para Regina






Eu sei respirar
não é psicografia
sou eu mesmo quem fala
e não expira

Torço cada ângulo
dessa vida
antigamente era raro
hoje sou cria
dos nós que tinha

a flecha lançada
não desvia
mas você teria que
cruzar tantas esquinas:

o frenético camaleão
de leão são meus ossos
arrancando grandes nacos
das Eras,

sou todas
as belezas
da Quimera.

domingo, março 14, 2010

Seria Poesia




um truque certo
habilidades não previstas
podia ter me ensinado, reclamo

só recrio um desdobramento
lembretes de dia a dia
do material frio

arma perna
da palavra
resto e asma

troca da batalha já perdida
pela espera, a gota invertida
que volta pro céu.

quarta-feira, março 10, 2010

trama






torce
o pescoço
ávido no sopro
e esquece a dose

ataca o osso
no azul de
qualquer canto

o papel cresce
mas a água
o próprio rumo

tudo afunda
e acontece
no esquecido mundo

segunda-feira, março 08, 2010

...plantar gerânios


 
Para de vir em si mesmo
E mais
E os erros que sabemos
Geram flores?
(gerânios?)
Digo que errei a raiva
A tristeza ou magoa
Pra acertar a palavra
Do seu rosto que vejo todo dia
Que loucura que não vou
Sem paz para

Mil Vezes

Uma carnificina
uma carne sem amor
oficina sem luta,
dor: espaços
Aumento o zoom mil vezes
e não enxergo
o obvio fim, detesto
sem esforços
a rotina dos meus ossos.

Todos os dias como são

mania por mania por
por por propor mania
as por propor manias
manias manias propor
as de qualquer mão
propor qualquer sorte
propor que as repita
mania por mania por
manias