domingo, março 26, 2017

passageiro

em tom confessional
a minha vontade
sem religiosidade
só o óleo já em suas pernas
o mesmo de minhas mãos

o calor de quilômetros
de sua história
você não sabe mas
cruzei os mares
pensando em seus
dedos coloridos

há o futuro
este poema
ainda não lido mas
os mesmos olhos
na tarde quente
e nublada.





quarta-feira, março 08, 2017

Bom dia

Escondo minha selvageria
minhas pontas dos dedos sujas
no ombros fortes
no gelo fino
na flor uma semana depois de colhida

os pássaros tentam alguma naturalidade
enquanto cantam em cima dos postes
não posso deixar de imaginar eu
pássaro magro e negro na claridade das pessoas
ao redor

a carne e o vegetal
ainda sofrerão por muito tempo
ou eu é que imagino
corpo e alma, as nossas
que enquanto juntas ainda posso
imaginar

mas sou então algum feiticeiro
escuso, um necromante
ou quem me vê não sabe
que estou relendo as mensagens
mesmo no bom dia
ininterruptamente.