sexta-feira, maio 09, 2008

Só Arrumei o Banheiro e Tchau

10/DEZ/07





As escovas de dente penduradas em um trançado – vindo do norte do país – uma a cima da outra. A vermelha, a azul, bem clara, e a verde. A vermelha era nova; a azul, muito velha, dá a impressão que é usada há décadas; a verde não se percebe se é nova ou usada.
As camisas pendiam também, essas, velhas de uns pregos velhos na parede perto da porta. As usadas mesmo estavam num cesto, pra serem lavadas dali a dois dias, no sábado: as camisas velhas seriam pra limpar o chão.
Um homem sentado no chão. Está descalço e massageia os pés devagar, sem pensar em nada. O homem tira a camisa, a pendura; tira a calça, um jeans velho.
Ouve alguma coisa e, de cueca, sai do banheiro e investiga, pela janela da sala, alguém vem em direção da casa. Ele tira a cueca, espera em frente à porta. A casa é velha, ele pensou. Andou apressado até o quarto, vestiu uma calça jeans e também uma camisa vermelha e muitas vezes se sentia apertado nela – agora não.
Quem batia na porta era uma mulher, nova.
— Oi, ela disse.
— Sou novo aqui.
— Eu sei, ela cortou rápido. Ele esboça um sorriso, diz:
— A casa é velha, mas eu gosto.
— Já morei aqui. Ela olha por sobre o ombro dele.
— Quase ainda não mudei nada. Ah, você quer entrar?!
— Minha mãe disse que eu podia achar algo que ela deixou aqui, mas faz muito tempo. O banheiro ainda tem piso vermelho?
— Ainda sim, eu gosto.
Ela entra, ele atrás.
— Você mora aqui sozinho?
— Vão chegar mais tarde, ele responde, depois de uns segundos diz ainda: Daqui a alguns dias, mais dois.
A casa ficou fechada duas semanas, quando a última família saiu.
— Minha mãe diz que quem sai daqui é pra melhor.
— Por que a casa é antiga?
— Antiga e velha.
— Eu não olhei tudo ainda, alguns cantos parecem mastigados.
Ela sorri, diz que a casa não tem importância. Só arrumei o banheiro.
— Esse aqui era o meu quarto.
— Vou dormir aqui.
— Vão precisar de empregada?
— Nos arrumamos sozinhos.
Ela olhou pra trás, continuou.
— Não vou encontrar, acho que a minha mãe brincou comigo e deve ser porque eu sempre quis guardar algo que permanecesse bastante tempo escondido.
Foi saindo, disse que esperava que eles gostassem, se dessem bem, lá.
Vamos sim, respondeu.
— E agora toma cuidados redobrados, por causa dos terremotos.
— Eu não senti, cheguei hoje.
— Ah, é! Eles não acontecem muito, acho que talvez não aconteça mais. Agora ela ri e olha pros lados, já está do lado de fora. Tchau.
— Tchau, nos falamos.
— Sim, ela ainda responde. Vai embora.
Ele tira a roupa, toca na parede e senti um pequeno tremor. Deita no chão, de travesseiro o próprio braço, dorme, o mais normal nessa quinta-feira.

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Mas, com certeza, agora ele aprendeu


Use o bom senso e o ouvido
(no meio) nas montanhas.
Agora que
algures,
quando o infinito: um sujeito
depois de uma página
prejudicar o fechamento
produzirá monstros,
Nos tetos, esfinges
Alguns deles, ainda que vivos,
depravam e depravam
um dia. Queimado.
Além disso, praticamente,
desaparece.


16/Dez/2007

Não Conheço Ninguém Por Nome


Obrigado à Hilda Hilst porque fiz esse fragmento e especialmente por causa do ‘vão da escada’.









Queimar as pílulas pra não jogá-las na pia: era isso. A piada. Uma estratégia. Alguém ajudando no pé do ouvido dizendo. Dizendo ajudas, mesmo que não adiante, queime os remédios.
As histórias aqui, que você diz, não é o quero que você entenda! entenda!
Uma terceira voz fala: obedecem. Gesticula um. Ninguém quer dizer que na gaveta fácil do criado mudo — caixas cheias com aquele remédio. Amigos de pó ou do pó.
Eu sei descobrir se você está ou não dormindo nesse quarto, onde fica o criado mudo. Meu ou mal. Sempre você: ou é bem ou mal. Não há desculpa por você não se desculpar. Debaixo do umbral desse quarto você não diz não. Mal, eu admito. Mas sem desculpa. Cruzem os dedos ou rezem. Não dá um ano isso dos remédios. Alguém pensa que se uma quarta voz aparecesse as coisas andariam bem. Volto a ressaltar depois desse pensamento de alguém que os remédios — que não são remédios — não tem importância, era já pra ter dito isso antes. Alguém sai e agora só há homens no quarto. Querem esperar uma mulher. Outro espantado respira e seu nariz — fino e longo — fica vermelho e expande e dilata e estreita. Um com voz bonita, mas que não canta graças a deus, fala sobre as importâncias. Não resistem, vamos sair, ir pra sala.
Rir seria uma saída pessoal pra todos, mas juntas ficariam como gente louca e todos não queriam isso. De novo o dinheiro, quando não se fala dele, agora, ele vem antes. Eu sabia sabia, eu já sabia, alguém diz. Na sala cadeiras azuis e pequenos quadros verdes na parede. Eu queria ser aquele remador. Alguém contrai a face e contraria esse último falando ah, por favor, sem isso!! Ninguém ainda fez pergunta aqui. Eu fiz. Eu fiz.
Parem vocês, gente louca!
Minha gente.
Quero dizer que não há nada que impeça que o que está acontecendo seja contado.
Não contarei,
Eu não contarei:
Ninguém me conta nada.
Por várias mãos, eu me humilho. Alguém diz que não venha com essa como os sentimentais de merda que sua mãe lhe fala e ainda todo dia. Isso não é verdade! Olha só, prestem atenção em mim: Eu perdi palavras que anotava neste caderno, um diz folheando um papel, ali ele dá recitas. Numa casa de mulher só há homens disparatados. Isso de novo não!
Quem vai falar quando chegarem?!?
Você não pense em escrever com essa letra de médico.
Mas minha letra era bonita, só foi ficando arrasada — arrastada — quando comecei a fazer medicina.
Pessoal, calma: a morte é uma coisa terrível, ainda. Vamos vestir roupas diferentes. Todos concordam, Essa última voz parede com outra voz, de um deles. Ninguém liga. Com cabeças pra baixo saem da sala.
Um corpo está no jardim, retorcido. Se retorceria mais se estivesse vivo. É o corpo que eles temiam por morrer a cada milésimo que apodrece. Todos com tanto amor. Mas aquela mulher no jardim, morta, viveria se por eles ela dependesse. Todos ainda desejam seu corpo que há poucos dias já tinha sido deles, separadamente. Se entenderam depois quando se encontraram. De quem ela era se estava no chão caída de cima de seu quarto. Tudo é tão preso neles que agora ela é mais que livre, morta. Não conheço você: transpor esse umbral. A loucura parece melhor que isso. Todos dizem sim. A loucura saia barata. É mesmo, dizem. Transpor esse umbral.
Então tá: vamos dizer que não somos nada e ela?
Você não vai conseguir pensar assim porque ela não era abstrata.
Finalmente alguém que eles queriam chega. É tão novo quanto uma criança grande e lúcida. Logo se vê que é um prodígio irritante, diz que ela diria que eles estão com ela no vão da escada. Ninguém podia se olhar como no começo.

sábado, fevereiro 16, 2008

DES








fiz uma volta
e mesmo o vento
que é sem país
e como alguém
renegado antes de nascer
e desaprendido de números
conto.
e seria mais que bom
se dissesse
nada mais oportuno que um
desconto
e nada falasse.
Marte.

domingo, dezembro 16, 2007

Nunca Tive Fotos

nunca tive fotos
nem por isso.
tinha mesmo
cartões
ou de passeios,
viagens.
paisagens de lembrar.
nomes em livros.
nunca tive fotos
ou decidi que teria
foi só por ser.
se todos distantes
e eu longe,
palavras mas
nunca tive fotos.

sábado, novembro 03, 2007

Cem Olhos Lupinos





andei miraculando santos
e permaneci intacto
ou sem toques
cremado de loucos
porém mais forte,
'' ou menores, dependendo
de suas nescessidades energéticas"


pode
lançar o seu nojo
em qualquer pele
elegendo


parecia que se se tornava
a voltar
mexia com forças,
do medo dos ditados


Se na sua boca
eles saiam mais
entornavam menos carícias
que medos, na minha










um blog encerrado, de cinema, muito bom

domingo, outubro 28, 2007

Pena de Ninguém


Não quebro ossos
por querer
Nunca digo que
esse é o meu trabalho
eu, raro, faço o tempo
raspar minha cabeça,
Todo sol em sua roupa
entre o
Sintoma parado e
a contínua medida
que é aqui.

domingo, agosto 26, 2007

Que se perca


parece
que não se
encontra nada
dentro deste sapo, nesta
boca costurada
querer procurar
em gavetas?
eu sei o que você
faz com espelhos.
seus
dos outros

quinta-feira, agosto 02, 2007

Imitam loucura. Amor

sem dizer palavra
é que é.
dizendo o que
mais tinha.

sem morte
dúbia

anástrofe, dos encantos
dos olhos
Não sei por antes se são
lunáticos e sensuais

concluíram trechos da minha alma
sem saberem, também era meu corpo

e só descubro depois desses horários,
quando me contam o que era.
como todo míope, não vejo o tamanho
certo das coisas, eu não sei o tamanho
certo das palavras
subscritos alienígenas ou
ênfase nutrida do escuro

nas suas mãos manicômios,
feitos um de cada vez,
ilustrações
alma corpo, uma coisa só
movimentando-se

domingo, julho 22, 2007

me trazem

Verborarar o caminho
ser do destino do tempo

Tempos que simulam
loucos

Planificar ramos,
tirá-los do rosto
ver o âmbar dos rostos

Naves espaciais que levam
me trazem

Criar fósforos de meus ossos
pra me iluminar?
Saber do abstrato que
existe, e o que palpável é tão.

Que devolva os remorsos,
pequenas vinganças aconteçam

Eternizar nem que em foto ou vídeo
ou olhos
tudo que há em um pedaço de terra,
segundos, sofrer ou não — mais:

Caminhar verbando destinos
mesmo os incompreensíveis,
porque disso é que vou.