domingo, janeiro 22, 2017

Origem de um rio

grandes mãos de pedra áspera
deitam minha cabeça
com gentileza

para longe do meu corpo
na confiança de quem fecha os olhos
conheço seu calor humano

durante todo o dia
o leve toque da grama 
então o rio congelado

nada machuca minha pele
e esqueço toda a violência
e todos os meus cadernos

o rio não é fundo
mas não parece acabar
finalmente abro os
olhos enquanto escrevo




terça-feira, janeiro 03, 2017

como ser o que é (naquele dia)

As pequenas gotas daquela chuva
fria é o que eu precisava desconfio
àquela hora você também

o que não pude tomar você tomou
a máscara da descoberta descendo
a garganta. A ressaca que não virá

o dia continua seu pão com manteiga

Mas nós criamos clandestinamente
a Igreja Dos Que Sabem O Que Aconteceu Naquele Dia.





domingo, dezembro 25, 2016

Dezembro é uma viagem

Talvez a carta nunca chegue
a resposta
Mas dezembro está aí
veja só
ou junto de outro

Foi neste mês que voltei
de tantas coisas,
menos de você

O joelho me lembra
a queda próxima
mas os dentes ainda bons

as palavras ainda boas
os livros ainda bons
o fim ainda bom
se espera

ou eu corro
como toda aquela velocidade, sabe
a Coragem de quem dorme todo noite
nessa entrega de não saber ser irá
acordar.

quinta-feira, outubro 27, 2016

poderei

ando ainda naquela terra
percebo as formigas quando
tarde demais, as picadas

Ainda o destruidor
daqueles seres, sempre
o cheiro a grama desce a água
as gotas no braço

Posso então voltar
agora o simulacro
a chuva depois deste
último mês, as roupas

Sei que não posso
não poderei
Só há o desejo
de copiar
o intruso a palavra

só o que não poderei
mas as folhas minúsculas verdes
meus olhos o intruso
chegando em boa hora
que senta à mesa
e toma o café.