domingo, outubro 01, 2017

um lugar

Nos descobrimos sem almas
ainda assim jogados
com gestos desconhecidos

a fatiga do duplo que vai ao trabalho
e nos deixa a cama arrumada
só o gato nos olha na casa vazia

A calma os dedos infringem a dor
ossos e línguas quebrados pela noite
mesmo que nos conheçamos

Por quem eu não sei mesmo
onde esperar, pois não será aqui.

deixe aquela pintura pela metade
a cópia do quadro famoso

olhos descansados
penso que se me verem à esta hora
escrevendo

os corpos da pena e do pincel
um dia qualquer no parque

domingo, agosto 27, 2017

sem nome

Nos reunimos para roubar
mesmo que separados
neste absurdo de nossas conversas

Eu que me preparo todos os dias
enquanto outros mesmo sem despedida
neste absurdo dos bons dias

não há nas minhas mãos
não também em meu cérebro
a segurança de acreditar

Já está o laço atado
em nossas cinturas
as fadas ainda choram.

sábado, abril 22, 2017

Enquanto se cuida das plantas

Perdi um conto enquanto cuidava
de minhas plantas (ou seria uma poesia?)
Primeiro a terra seca entre pedrinhas
mais fundo a terra úmida que entra embaixo das unhas
O personagem some entre uma raiz e outra
a luz do Sol já um tanto longe
As palavras não me seguem não há enredo
a oportunidade esgotou-se naquela discussão
tão antiga
No fundo minhocas são sinal de saúde, mesmo na noite
A história não tem gramática, mas sim meus desejos
A água apaga ou nutre ainda me pergunto, ou o Futuro será
a lápide (entre datas) que dirá: Delete e não o papel amassado
Observo bem as folhas como um carinho que queremos receber
desde sempre: são pequenos mapas, os mapas e seu objetivo

Desligo a lâmpada muito alta
essa última luz e finalmente
acontecerão coisas que não posso ver.