quinta-feira, janeiro 11, 2018

Possível


O futuro hora
disperso e safado
ora com um cigarro
pego do chão
o gosto das bocas
e dos pés me olha

sem bater
quem nos visita
à noite sem braços
olhos claros invisíveis
imutáveis beijos
inabaláveis surras

enquanto erguermos
a escultura que se costuma
salvar à o mar

asco e cobre
que nos afoga
o passado que não morre.


quarta-feira, dezembro 27, 2017

Não só o mês por último

Que o mundo acabe mesmo em
Dezembro mas não será final
enfim o mês de sua voz
o ponto que termina
a carta

a chuva as músicas as suas cores
as gotas de nossa peregrinação
a umidade nos ombros nos joelhos
como vapor as palavras ainda mal
decifradas

Seja a sorte no final de seu calendário
não a pessoa não o papel não a morte
a palavra ainda assim compreendida
por último.

quinta-feira, dezembro 07, 2017

Um pouco antes

Um passo atrás na
elegância de uma despedida
sem palavras ou toques
a visão apenas de suas costas
descendo as escadas
fingindo não estar mas sendo
inseguro enquanto fecha o portão
a rua te engolirá
minha memória também
me pergunto
o céu convulso não entrega
a tempestade prometida
como não te entreguei meus
pensamentos
e você os seus, talvez.

domingo, outubro 01, 2017

um lugar

Nos descobrimos sem almas
ainda assim jogados
com gestos desconhecidos

a fatiga do duplo que vai ao trabalho
e nos deixa a cama arrumada
só o gato nos olha na casa vazia

A calma os dedos infringem a dor
ossos e línguas quebrados pela noite
mesmo que nos conheçamos

Por quem eu não sei mesmo
onde esperar, pois não será aqui.