sexta-feira, fevereiro 23, 2018

atrás

hoje não sabemos ao certo (um meteoro)
se o clarão visto foi mesmo

será confirmado amanhã (o livro de Kafka)
a esperada encomenda

não pode-se mesmo ler (no chuveiro)
e matar-se na chuva


terça-feira, fevereiro 13, 2018

Errado eu

Não há por onde
não encontre o erro
na nova manhã no cheiro
do corpo lavado
no corpo comprado
na nova pessoa o erro

No sorriso que escreve 
na areia e na dança o erro
no bom dia e no desejo
e na pintura o erro
no silêncio no passado
na tempestade do passado

no futuro desencontro
os erros crescendo
nada se descarta
mesmo no fingimento
naquele acerto que me pareceu
na hora o erro.

quinta-feira, janeiro 11, 2018

Possível


O futuro hora
disperso e safado
ora com um cigarro
pego do chão
o gosto das bocas
e dos pés me olha

sem bater
quem nos visita
à noite sem braços
olhos claros invisíveis
imutáveis beijos
inabaláveis surras

enquanto erguermos
a escultura que se costuma
salvar à o mar

asco e cobre
que nos afoga
o passado que não morre.


quarta-feira, dezembro 27, 2017

Não só o mês por último

Que o mundo acabe mesmo em
Dezembro mas não será final
enfim o mês de sua voz
o ponto que termina
a carta

a chuva as músicas as suas cores
as gotas de nossa peregrinação
a umidade nos ombros nos joelhos
como vapor as palavras ainda mal
decifradas

Seja a sorte no final de seu calendário
não a pessoa não o papel não a morte
a palavra ainda assim compreendida
por último.