sábado, abril 22, 2017

Enquanto se cuida das plantas

Perdi um conto enquanto cuidava
de minhas plantas (ou seria uma poesia?)
Primeiro a terra seca entre pedrinhas
mais fundo a terra úmida que entra embaixo das unhas
O personagem some entre uma raiz e outra
a luz do Sol já um tanto longe
As palavras não me seguem não há enredo
a oportunidade esgotou-se naquela discussão
tão antiga
No fundo minhocas são sinal de saúde, mesmo na noite
A história não tem gramática, mas sim meus desejos
A água apaga ou nutre ainda me pergunto, ou o Futuro será
a lápide (entre datas) que dirá: Delete e não o papel amassado
Observo bem as folhas como um carinho que queremos receber
desde sempre: são pequenos mapas, os mapas e seu objetivo

Desligo a lâmpada muito alta
essa última luz e finalmente
acontecerão coisas que não posso ver.

domingo, março 26, 2017

passageiro

em tom confessional
a minha vontade
sem religiosidade
só o óleo já em suas pernas
o mesmo de minhas mãos

o calor de quilômetros
de sua história
você não sabe mas
cruzei os mares
pensando em seus
dedos coloridos

há o futuro
este poema
ainda não lido mas
os mesmos olhos
na tarde quente
e nublada.





quarta-feira, março 08, 2017

Bom dia

Escondo minha selvageria
minhas pontas dos dedos sujas
no ombros fortes
no gelo fino
na flor uma semana depois de colhida

os pássaros tentam alguma naturalidade
enquanto cantam em cima dos postes
não posso deixar de imaginar eu
pássaro magro e negro na claridade das pessoas
ao redor

a carne e o vegetal
ainda sofrerão por muito tempo
ou eu é que imagino
corpo e alma, as nossas
que enquanto juntas ainda posso
imaginar

mas sou então algum feiticeiro
escuso, um necromante
ou quem me vê não sabe
que estou relendo as mensagens
mesmo no bom dia
ininterruptamente.


domingo, fevereiro 05, 2017

novo coração

Por fim nos dois temos razão
o frio não foi tão fundamentalista, mas acumulatório
Kafka era sim alguém de praia

Os ratos o feijão dá conta
e a madrugada o cachorro decidiu ler
o silêncio pela primeira vez é asqueroso

e abre a porta como se entra numa seita
mas você evapora começando por suas mãos

A história termina durante o almoço
sem amor