terça-feira, julho 17, 2018

Um dia

Não sou mais aquilo que pensou
o rosto ainda permite esconder?
seus suores bons e ruins

no rio que mergulha o frio
a corda tensionada e áspera

rios que sobem
árvores que andam

no pulo eu flutuo
a rasa ânsia como lembrança

não posso lembrar de ninguém
enquanto não esquecer de mim.

Não seria

Poderia eu ter sido mais alegre
luz seria vista pelos dentes
girassóis que nutrem apertos de mãos


seria então uma chamada perdida
a depressão
o desejo tão profundo
do não desejo de viver

grandes livros lidos
enquanto se abre a janela
o dia frio o dia quente
um dia assim

Mas não espere isso
é só
a volta acontecerá
para o nada
é só.

E é bom.



sábado, abril 28, 2018

mancha

qualquer fulgor já passou.

E mesmo tanto cloro
por tanto tempo deixado
não deixa nada mais claro.

sexta-feira, fevereiro 23, 2018

atrás

hoje não sabemos ao certo (um meteoro)
se o clarão visto foi mesmo

será confirmado amanhã (o livro de Kafka)
a esperada encomenda

não pode-se mesmo ler (no chuveiro)
e matar-se na chuva