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Diane Arbus |
hoje é dia que não preciso de pessoas
suas costas em que constam
os dias e histórias
ponto perpétuo de estratégia
a cara desarrumada, a vaga lembrança ilustrada
no sofá, na cama, na mesa quando acordam
por que pessoas são conspirações
e estou no meu direito de ser paranóico
Não me apareça, não me exista. Não seja nem pássaro
sou daqueles que pula um espaço pra ver se nasce de novo
e me espanto em que as pessoas falem, gestos e pregos
na minha parede, no meu cérebro
Mas me afogo na advertência, não me apareça
nem memória nem penhora
dá pra passar bem sem mim ao menos hoje
(me imagine morto há vinte anos)
por hora,
a noite pelas beiradas
à tarde, desaparecido
No outro dia
o outro, o outro
que você conhecia.